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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

De onde vem a inspiração?

(Ilustração minha)
Inconveniente! De repente me invade na rua, no banho, no ônibus. Inoportuna! Sempre aparece quando não posso cantar, nem gravar ou escrever. Não escolhe hora, lugar, intensidade; vem chegando sem avisar, tomando a cabeça, sufocando o peito. Que angústia...Vou perdendo pelo dia as ideias que surgiram e só me alivio quando chego em casa e posso abraçar o violão, rastrear umas notas, vasculhar melodias ou simplesmente rabiscar desenhos e palavras, me enganar entre palavras, imagens e sons.
Quando ela chega, sou plena! Não importa muito o que está acontecendo, qual música virá, qual a forma do rabisco, qual cor, verso ou prosa. Se feliz, triste, complexa, se cheia de contradições ou palavras bobas, se os traços saírem tortos e imprecisos; importa que naquele instante eu sou viva e sou completa. Deixo o inconsciente trabalhar, deixo a letra vir, a melodia brotar, as cores conversarem. E mesmo que venha de uma grande desilusão ou de uma angústia gigantesca; é sempre bem-vinda.
A inspiração torna a vida suportável. Ela mergulha em beleza o sentimento mais desprezível e a realidade mais fugaz. Quero tê-la sempre, que sê-la sempre! Abro agora o peito para novas invasões; que venha! Gosto de derramar seus frutos com palavras, gestos, canções avulsas. Ou então, com o simples silêncio. Se inspiro ou se respiro, me inspiro. E me transformo!

"E o peito meu
Fibra por fibra
Apaixonado vibra
Com prima e bordão
E é aí que eu
Sinto a mão de Deus
Na minha mão. "

Música de Raphael Rabello, letra emocionante dele e do poeta Paulo César Pinheiro. Para inspirarem-se:

http://www.youtube.com/watch?v=27avitG3EAw

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Você canta com o diafragma?

(ilustração caseira, precisava traduzir isso em imagem!haha)
Ao ouvir essa pergunta logo imagino uma boca surgindo da minha barriga e soltando um “I love yooooouuuu” em alto e bom tom!
Esta é uma das maiores gafes que todo cantor é obrigado a escutar uma vez ou outra ao longo de toda a carreira. Melhor que responder com grosseria: “não, canto com a boca”, é explicar à pessoa leiga o papel brilhante do diafragma quando emitimos qualquer som. Além de render uma boa conversa, o amigo questionador jamais vai perturbar outro profissional com a perguntinha senso-comum.
Vamos lá?
O canto envolve, na verdade, todo o nosso corpo. A postura e a tensão ou relaxamento de cada músculo influem na boa emissão da voz assim como doenças de estômago, desvio de septo, sono mal dormido, etc. Mas os sistemas mais diretamente envolvidos e, por assim dizer, mais importantes, são o digestivo e o respiratório. O som da nossa fala, essencialmente, nasce do movimento dos nossos pulmões. Veja bem:
O diafragma é um músculo, um dos principais responsáveis pelo controle da nossa respiração. Ele fica logo abaixo dos pulmões e funciona como uma cama elástica, expandindo e comprimindo nossos preciosos “balões de ar”.
Por que ele é tão importante para o canto? Oras, o canto é algo mais que a respiração direcionada! O som é produzido pelos movimentos das nossas pregas vocais (alguns chamam de “cordas vocais”, mas este termo está caindo em desuso) e só existe devido à passagem de ar por estes musculuzinhos que vibram. Depois, ao ser moldado pela boca, lábios, língua e ao passar pelas cavidades de ressonância*, o som ganha cor, brilho e força. Mas onde está sua origem? No sopro da vida!
Então, quanto melhor controlarmos nossa respiração, melhor podemos cantar. Mais domínio teremos de cada nota entoada, da sua duração (que chamamos de fôlego), firmeza e brilho. E IMPORTANTE: respirar corretamente (entre outros fatores) garante a saúde da nossa voz.
Exercendo o controle sobre o diafragma (e também sobre outros músculos envolvidos com a respiração) direcionamos o esforço para os pulmões e “aliviamos” as pregas vocais, deixando-as livres de desgastes desnecessários. Este controle é conhecido como “apoio respiratório”. Aliás, é uma técnica essencial, já que o excesso de trabalho das pregas vocais pode provocar doenças e gerar calos que em alguns casos são removidos apenas com cirurgia. Eu mesma já tive um e, bom, achei terrivelmente desagradável ficar 7 dias sem emitir absolutamente nenhum som para salvar minha voz, durante a recuperação. Ou seja, aconselho à todos, profissionais da voz ou não, a cuidarem com muito carinho daquilo que é fundamental para nossa comunicação com o mundo!Boa idéia, hein? Na próxima coluna vou até postar sobre como cuidar dela direitinho.
Pois bem, o diafragma exerce uma função importantíssima no canto e na fala. Agora, ao invés de perguntar se alguém “canta com o diafragma” você já podem dizer aos seus ídolos que eles “têm um ótimo apoio respiratório”. Ninguém aqui vai ao show de uma barriga cantante, certo? Nada de gafes. Fica a dica! ;)

*Cavidades de ressonância: são como a caixa do violão que é o corpo de madeira do instrumento responsável pela amplificação do som. No nosso corpo, as principais são: pulmões, para notas graves e médias, e cabeça para notas agudas. Além disso, a região nasal pode ser usada para realçar timbres metálicos.

Referência : http://ocantodocanto.blogspot.com/2007/08/curiosidades.html

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Se eu gosto a música é boa.

Ruim é máquina de fotografar que estraga em dois cliques. Ruim é o salário dos professores municipais. Ruim é o vilão. Ruim é o diabo. Mas e a música? Existe música “ruim”?
Muito comumente ouço pessoas que julgam ter um gosto eclético dizerem que gostam de tudo, menos de funk, Axé e pagode. Dizem: “gosto de música boa”.Ou acham que a música que é boa porque gostam? O que veio primeiro, o ovo ou a galinha?
O juízo de valor criado ao entorno dessa arte tende a se confundir com o gosto musical de quem julga. As duas coisas se fundem. Dizemos que é “ruim” aquilo que não nos agrada aos ouvidos ao invés de nos expressarmos dizendo “não gosto”.
Alguns defenderiam a música boa como aquela que é complexa, bem trabalhada. Todos nós reconhecemos o valor daquilo que levou tempo e dedicação para ser produzido. Mas porque o simples estaria fadado à má qualidade? Admiramos uma música difícil de ser executada, uma nota aguda arrancado do fundo do peito, um guitarrista que faz seus dedos sumirem na velocidade do solo porque sabemos do esforço e talento presentes. Muitas vezes este pode se tornar um parâmetro para julgarmos a superioridade de uma produção musical e fazer com que tratemos com desprezo as que não apresentarem tais elementos. Isso não é ser limitado demais? A riqueza pode estar em outros cantos pouco explorados, em detalhes discretos. Para enxergá-los e ouvi-los, não bastam ouvidos abertos; é preciso ter MENTE aberta.
Os estilos musicais devem ser encarados como expressões culturais diversificadas. Nada surge do nada para nada. Cada estilo é fruto de um contexto, de uma necessidade comunicacional. Não pretendo cair no relativismo extremista, pois repudio qualquer extremismo cego, assim como refuto atitudes preconceituosas. Posso rodar um CD que me causa espasmos de alegria sabendo que existe outro alguém que taparia os ouvidos e me indicaria um outro som sendo que eu preferiria me tornar surdo antes de que o som ligasse. Enquanto um samba aqui, outro valseia de lá. Eu ouço rock, ele curte rap. Minha mãe gosta de bolero, meus avós de sertanejo. Isso é diversidade. E diversidade é sempre bom, claro, quando acompanhada de tolerância e respeito.
Não quer gerar polêmicas? Troque o “ruim” pelo “não me agrada”. Pois juízo de valor se discute. Já gosto musical...

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Filha de peixinho...


“A Maria Rita até que canta bem, mas jamais vai chegar aos pés da sua mãe”
. Quantas vezes não ouvi comentários comparativos entre Maria Rita e Elis Regina, sempre inferiorizando a peixinha em relação à peixe grande? Será que não há uma ingenuidade cruel na visão de quem assim se deixa seduzir pelo saudosismo?
Que Elis Regina foi uma intérprete excepcional é inegável, assim como quase chega a ser pleonasmo dizer que ela foi única. E o único não se compara; não se substitui. Maria Rita nunca se entregou a missão impossível de se equiparar à mãe e pelo contrário, lutou com todas as forças para vencer o preconceito daqueles que a julgavam cegamente, sem perceber o grande talento qual perdiam a oportunidade de prestigiar enquanto repetiam: “Mas a Elis...”
Embora tenha tentado desvincular sua imagem da progenitora, é impossível ouvi-la sem se lembrar da mãe. A biologia não permite! O timbre herdado, belíssimo, pode ser trabalhado como for; em samba, rock, jazz...mas sempre remete á Elis. Quer saber? Acho isso ótimo! Assim posso escutar ao vivo a voz que eu jamais escutaria não fora a herança de Rita. Gosto mais ainda de vê-la nos palcos, esbanjando um charme encantador, interpretando de maneira muito criativa todas as músicas muito bem selecionadas que caem em suas mãos, ou melhor, na sua garganta abençoada pela descendência invejável.
Então, antes de compará-la ao incomparável, é preciso descobrir se não é por mera (e maldosa) saudade desmerecemos um talento poderoso como o dela. Aliás, procure fazer uma experiência: compare todas as cantoras que você gosta muito à Elis e veja quem sobrevive. Pois, é...não disse?
Que essa herança não se perca pelas próximas gerações cantantes! Vida longa ao gen “Elis”!

Beijos estalados e até a próxima!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Coluna musical

Olá, Envolvidos!

É com muito prazer que aceitei o convite da Pri para eu deixar me Envolver pelo blog!=) A partir de hoje, vou erguer uma nova coluna para o Envolva-se; a musical.

Para os ouvidos curiosos, vou indicar músicas,músicos e é claro, shows e eventos que sempre ocorrem nesta cidade efervescente!haha!
Para os ouvidos críticos, vou deixar as minhas opniões e abrir espaço para discussões sobre lançamentos, velharias e espetáculos em que fui.
Para os ouvidos cantantes, vamos falar de canto, oras!

Espero que gostem da novidade!

Um beijo estalado em Dó pra vcs!